terça-feira, 26 de outubro de 2021

OTOMO

Otomo

Por Tristão da Cunha

Otomo significa companheiro, assistente. 
Esta palavra normalmente usa-se para descrever a pessoa que acompanha o mestre.
No nosso caso, no caso do aikido, é o aluno, ou aluna, que acompanha e assiste a um mestre, normalmente durante uma viagem.

Saito sensei, tanto no inicio como no final das suas viagens nacionais ou internacionais, quase sempre viajava com um otomo. Esta pessoa não só lhe fazia companhia durante as  longas horas que passava sozinho nas viagens, como também nas longas horas entre os treinos. 

O que faz um otomo

Um otomo, no aikido ou noutras artes marciais tradicionais, tem o trabalho muito semelhante ao de um escudeiro medieval. Ele tem de servir o seu mestre em todas as formas. Tem de cuidar da sua bagagem, da sua roupa, preparar a sua cama, preparar a sua comida, servi-lo durante as refeições, verificar que tenha as armas necessárias, preparar as viagens tanto materialmente como socialmente, ajudar o mestre a banhar-se (se for necessário), a vestir-se, cozinhar se for preciso, e estar preparado para qualquer eventualidade. 

Saito sensei disse que ser otomo para O’Sensei tanto podia ser bom como mau. Se fossem a um lugar onde comessem pouco, o otomo passava fome, sono e ficava extremamente cansado, perdendo vários quilos. Se fossem a um lugar bom, os anfitriões cuidavam bem do fundador e alimentavam-no bem. Como o fundador, na sua velhice, não podia comer muito, o otomo tinha de acabar com a comida e ainda preparava um “bento” [uma caixa com comida], para levar, para ser consumida durante a viagem de volta. Neste caso o otomo aumentava de peso.
Um otomo tem de saber quais são todas as necessidades do seu mestre. Tem de saber o que ele come, o que bebe, os remédios que toma, os problemas físicos que tem, o que vai vestir, como dorme, como se senta, etc. Também, obviamente, tem de saber dobrar o hakama e o keikogi correctamente.





Vergonha
Um otomo não deve ter vergonha de servir o mestre. Se tiver vergonha, recuse o trabalho de otomo e outro será escolhido. 

Quando acompanhava Saito sensei como otomo nas viagens no Japão, tinha, por exemplo, de reservar um lugar mesmo ao pé da porta de entrada do autocarro ou carruagem de comboio, ou ao pé das casas de banho. Para isso, tinha de ser algo agressivo com as outras pessoas, pois todos, mal entram no comboio, querem logo sentar-se. Não só deveria de impedir que as pessoas se sentassem, como também reservar um lugar para mim mesmo, de forma a que ninguém se sentasse ao lado de sensei e assim o incomodasse. 
Se ele pedisse um lugar ao pé das casas de banho, como para as viagens longas, quando ele se levantava, tinha de impedir que outra pessoa ocupasse o seu lugar enquanto sensei estava ausente. Era embaraçante ser brusco com as pessoas desta forma mas, na realidade, ninguém era suficientemente simpático, também. 

Quando o mestre fosse à casa de banho, o otomo deveria acompanhar o mestre, e abrir as portas necessárias. Enquanto o mestre fizesse as necessidades, deveria manter uma distância de respeito. O otomo deveria sempre ter consigo uma pequena toalha de mãos para ser utilizada unicamente pelo mestre. Mal o mestre acabasse as suas necessidades, o otomo deveria abrir a torneira para o seu mestre lavar as mãos, e fechá-la depois. Então, deveria entregar-lhe a toalhinha para o mestre secar as mãos, guardando-a depois. 

Saito sensei muitas vezes, depois de secar as mãos, tirava uma toalha de papel do dispensador, e limpava o lavatório, para o deixar limpo para o próximo utilizador. O otomo tinha de ser rápido e recolher esta toalha, para a deitar no lixo.

Ao voltar, se estivesse sentado a uma mesa, o otomo deveria adiantar-se, antes do mestre chegar à mesa, puxar a sua cadeira e ajustá-la quando ele se senta. Antes de se ir embora para o seu lugar, no caso de não ser ao lado do mestre, deveria servi-lo. 

Muitas vezes o mestre precisa de massagens. O otomo deve saber um mínimo de massagem, principalmente massagens na zona do pescoço, ombros e costas, para poder aliviar a tensão ou alguma dor que ele possa ter. 

À noite, quando o mestre se decide deitar, o otomo deve aproveitar uma oportunidade, como quando o mestre vai à casa de banho, para abrir a sua cama e arrumar o seu quarto. 

Nos últimos anos da sua vida, Morihiro Saito sensei não podia dormir completamente deitado, como resultado de uma operação grave que sofreu. O otomo tinha, então, de preparar a cama/futon de sensei, de acordo com os requerimentos. Durante a noite, Sensei às vezes levantava-se para ir à casa de banho, o otomo tinha também de se levantar e atender ao mestre, perguntando-lhe se tudo estava bem.

Muita gente tem vergonha de fazer isto tudo e muitos acreditam, inclusive, que isto não tem nada a haver com o Budo. Quem pensa assim, está muito distanciado do verdadeiro mundo do Budo tradicional. Este tipo de pessoa nunca irá longe. Irá talvez deambular de arte marcial em arte marcial à procura de algo em que ele próprio não quer acreditar ou fazer.



As bagagens
Um otomo tem de ter em atenção as bagagens do mestre. É o dever do otomo carregar as bagagens do mestre, porque a tradição exige que o mestre tenha as mãos livres para poder lutar e defender o seu aluno. Além disso, no caso do mestre ser uma pessoa idosa, é uma consideração para com ele, carregar as suas bagagens. Por esta razão, o otomo deve sempre levar o mínimo de bagagem pessoal, para poder assim carregar com facilidade a do mestre, e poder assisti-lo de outras formas, também. 


Certa vez, quando fazia de otomo a Morihiro Saito sensei numa viagem para Sendai, depois do treino fomos para o hotel. Havia muitos praticantes universitários que nos rodeavam e tentavam ajudar. Eu neguei e carregava as bagagens de sensei e os seu sapatos. Deixei, contudo, que carregassem as minhas bagagens. Dois deles, tanto insistiram para ajudar com o sapatos de sensei (ele, depois do treino caminhava com os zoori), que eu deixei. Colocaram os sapatos na bagageira do táxi e fomos para o hotel. Ao chegar, levei a bagagem de sensei para o seu quarto, esperando que os tais estudantes trouxessem os sapatos. Pois, esqueceram-se. Sensei teve de caminhar sempre com os zoori, e inclusive ir para um jantar formal, de zoori. Senti-me muito envergonhado. Não podia culpar os estudantes, pois eles não sabiam e, também, era da minha responsabilidade cuidar das coisas de sensei. Finalmente, depois do jantar, e de andarem a contactar todas as empresas de táxis, lá encontraram os sapatos de sensei. Nunca mais esquecerei. Quando se acompanha um mestre, o otomo não deve deixar ninguém mais tocar na sua bagagem a não ser que ele o diga expressamente. 

Durante um estágio fora do dojo, o otomo deve ter sempre a sua mala feita. Assim, no final do evento, o otomo simplesmente fecha a sua mala e assim terá mais tempo para ajudar o mestre a fazer a mala e verificar se não há objetos esquecidos no quarto, debaixo da cama e na casa de banho. Se o mestre estiver a usar sapatos, deve limpar os seus sapatos, antes do mestre se calçar.

Como caminhar com sensei
O otomo deve sempre caminhar no lado esquerdo do mestre, um pouco atrás. 
No final da vida, já muito consumido pelo cancro e pelas dores que acompanham esta doença, Saito sensei muitas vezes dava estirões para trás, com dor. Nestas alturas, o otomo tinha de largar tudo para amparar sensei, para que não caísse. Também, tinha de ajudar sensei a subir escadas, empurrando-o na zona das ancas. Ao descer as escadas, o otomo tinha de adiantar-se a sensei um ou dois degraus e acompanhar a sua descida, preparado para ampará-lo no caso de se desequilibrar com as dores.

Preparar a mesa
Caso sensei e o otomo estejam alojados num hotel, antes de sensei descer seja para tomar o pequeno almoço, para almoçar ou para jantar, o otomo deve ir ao refeitório e pedir para preparar a mesa de sensei. Escolherá uma mesa que esteja com vista da entrada, e na qual sensei se possa sentar com as costas contra uma parede ou de forma a que ninguém passe por detrás. [Também, a nível pessoal, quando estamos sentados em algum lugar, devemos sempre ter a atenção necessária para escolher um bom local para nos sentarmos]. 
Nos pequenos almoços, deve preparar a mesa, levando comida do bufé, ou instruindo o camareiro como fazê-lo. A comida quente será servida mal sensei se sente.
Depois de preparar tudo, o otomo deve voltar ao andar de sensei e esperar fora do seu quarto. Quando sensei estiver a sair, deve fechar o quarto, ficar com as chaves do quarto de sensei e correr para chamar o elevador, prendendo a porta para ele entrar. O otomo deve ser adiantar-se e abrir as portas para o seu mestre. 

Se for para almoçar, o otomo deve também reservar uma mesa com as mesmas condições. Se houver um menu, horas antes o otomo deve perguntar a sensei o que quer comer e fazer o pedido. Se o prato for um prato caro, o otomo deve pedir para si um prato barato mas que esteja pronto ao mesmo tempo que o prato de sensei. Se o preço for razoável, o otomo deve pedir o mesmo prato, para que posso acompanhar sensei no comer. O otomo deve instruir o camareiro para servir sensei mal ele se sente.

Se for no dojo, o otomo deve saber preparar a mesa, e deve sempre incluir uma toalhinha húmida ao pé de sensei, para ser utilizada unicamente por ele. Antes de receber sensei, o otomo deve verificar se falta alguma coisa para a refeição e se a casa de banho está asseada, avisando os outros praticantes [caso seja possível], que certa casa de banho, durante essa refeição, será só para uso do mestre. Quando o mestre se levantar da mesa para ir à casa de banho, o otomo deve logo dirigir-se para a porta, abri-la, deixar o mestre passar, e acompanhá-lo da forma descrita acima. 
Durante a refeição, se o mestre estiver a falar, é muito rude estar a falar com outra pessoa. Aliás, o otomo deve sentar-se sempre virado para o mestre, de forma a indicar aos outros praticantes que ele está ali para servir o mestre. É considerado muito rude o otomo começar a falar com outros e ignorar por completo o mestre. Ainda mais rude é se o otomo mostrar cansaço e se puser a dormitar à mesa. O otomo não deve prestar atenção a mais ninguém do que ao mestre, mesmo correndo o risco de parecer rude para com os seus “amigos”.

Durante encontros sociais, como num jantar no qual estejam presente pessoas importantes ou, no caso do aikido, senpai mais graduados, nem sempre o otomo se sentará ao lado do mestre. Mesmo assim, deve estar com atenção ao desenrolar do jantar. Isto desenvolve o estado de alerta.

Se o mestre estiver a beber e ninguém o servir, o otomo deve sair do seu lugar e ir servir o mestre. Por esta razão, o otomo deve aprender a servir bebidas. 
No ocidente é comum à mesa a cerveja, o vinho e a água. No Japão, também há o Sake, e o shochu. O otomo deve saber como é que o mestre gosta, por exemplo, de beber o shochu e rapidamente preparar esta bebida. 
O otomo sabe que não deve tocar na borda do copo, pois é o local por onde a boca de sensei irá beber. Depois de preparar a bebida, com um pano ou guardanapo, o otomo deve limpar a base do copo antes de apresenta-lo a sensei. No caso de estar a servir vinho, deve servir agarrando a garrafa com ambas as mãos e com o rótulo virado para cima. Depois de servir, deve colocar a garrafa na mesa, ligeiramente afastada do mestre, mas com o rótulo virado para ele; não deve haver objetos a interromper a vista do mestre. 

Se o otomo não puder estar ao lado do mestre, deve perguntar à pessoa mais próxima, se vai servir o mestre, dando assim a oportunidade a mais alguém de servir o mestre e também evitar interferir na conversa. 
Se alguém estiver muito tempo a falar com o mestre e o mestre não responde, só ouve, o otomo deve estar com atenção e educadamente interromper a conversa, desviando a atenção da pessoa molesta, ou criando uma situação para “livrar” o mestre da chatice de conversa, coisa que ele, por estar num local fora do seu dojo, e por educação, não pode interromper. 

Durante a refeição, o otomo tem de olhar para a forma em que o mestre come e acompanhar o ritmo. É vergonhoso o mestre ter de esperar que o otomo acabe de comer para se ir embora. Também, se o mestre comer rapidamente e o otomo não o acompanhar, este poderá passar fome. Também por esta razão o otomo deve acompanhar o rimo de comer do mestre. 
No aikido não se desperdiçam movimentos. Todos os movimentos têm de ter uma utilidade. De igual forma, à mesa não se desperdiça comida. O otomo só se deve servir quantidades modestas de comida. Se necessário, poderá sempre repetir. É muito má educação deixar comida no prato.

Nos hotéis, muitas vezes o mestre tem de passar largas horas no seu quarto. O otomo deve ter, durante o dia, a porta do seu quarto entreaberta, para ouvir o mestre chamar. Caso não chame, de vez em quando o otomo deve sair do seu quarto e passar pelo quarto do mestre. Se a porta deste estiver aberta, significa que espera que alguém entre; espera por companhia. Neste caso, o otomo deve bater, esperar pela resposta e entrar para perguntar se necessita de algo. Se o mestre estiver a beber sozinho, o mais natural é que o otomo tenha de ficar a beber com ele. Dentro do quarto de hotel do mestre, o otomo deve verificar se o mestre necessita de algo, como mais cerveja, vinho, whiskey, gelo, fruta, etc.

À noite, quando se recolher para o seu quarto, no caso do quarto não ser o mesmo, o otomo deve levar consigo todas as garrafas vazias e todo o lixo. Ao sair, o otomo deve desculpar-se, despedir-se e fechar firmemente (não brutalmente) a porta, de forma a que o mestre se aperceba que já se encontra só no quarto.




Assistir sensei em viagens de veículo
Quando chega o carro que traz sensei, o otomo deve adiantar-se e abrir a porta. Quando o mestre sair, pode dizer algo como: “ seja bem-vindo”, ou a saudação do dia, ou “com a sua licença”. 
Quando o mestre está a entrar num carro, o otomo deve utilizar a palma da sua mão para proteger a cabeça do mestre enquanto este entra. Depois, deve puxar o cinto de segurança e entregar o fecho ao mestre. Se o mestre não conseguir, o otomo deve desculpar-se, curvar-se por cima do mestre e encaixar o fecho. Se for depois de um treino e o mestre tiver o hakama vestido, o otomo deve dobrar o hakama (ou o casaco, etc.) e coloca-lo dentro do carro, dizendo, “desculpe” ou “com licença”!, antes de fechar a porta do carro.

Dentro do carro, na porta, deve sempre haver uma garrafinha com água para a viagem e o mestre deve ser alertado para isto. Se ao sair do carro o mestre já tiver bebido a água, o otomo deve tirar-lhe a garrafa vazia das mãos e juntar ao resto do lixo que se fez na viagem, para mais tarde deitar tudo fora.

Quando parte o carro do mestre, o otomo deve ir para a rua e fazer de sinaleiro, verificando se vem algum carro e avisando o mestre ou o chofer, quando é seguro sair do estacionamento e entrar na estrada.
Ao passar o carro por ele, o otomo deve fazer uma vénia ao mestre, que vai dentro do carro. Depois, deve voltar-se na direção do carro e esperar um pouco enquanto se distancia. Antes de voltar para dentro, o otomo deve fazer mais uma vénia, mesmo que o mestre já não o veja.

Se o otomo viajar com o mestre, deve viajar no mesmo carro e deve escolher o assento próximo duma porta. Assim que o carro parar, o otomo sai para fora do carro e rapidamente abre a porta do mestre.




Tatami
Num estágio internacional, o otomo deve saber de antemão, onde é que o mestre entrará no tatami e verificar que não haja algo, como cadeiras, sapatos, etc. no caminho. Também, deve sempre verificar se o mestre tem uma toalha de pés para limpá-los ao entrar ou ao sair (muitas vezes, com a movimentação de centenas de praticantes, muito pó cai no tatami e suja os pés durante o treino).
No final do treino, o otomo deve correr até ao mestre e ajudá-lo a carregar qualquer coisa que tenha nas mãos. Também, deve correr e endireitar os sapatos ou zoori do mestre e esperar em seiza que ele se calce e saia do dojo. Depois, deve correr, sair do tatami com a etiqueta apropriada mas rapidamente, e correr até à porta do dojo abrindo-a para o mestre sair.

Nas artes marciais, como no aikido, o otomo também deve conhecer o curriculum técnico da arte, para poder assim assistir ao mestre no ensino, durante os estágios. Normalmente o mestre escolherá sempre um otomo que tenha estudado muito tempo com ele, e que saberá o que o mestre irá dizer, explicar, etc. e assim poder ajudá-lo a demonstrar. Logo, um otomo deve também ser uma pessoa atenta e precisa. Além disso, o otomo deve ser um praticante exímio, e que não tenha medo de treinar com os praticantes mais fortes. Durante um estágio muitos praticantes, principalmente os mais fortes, querem treinar com o otomo, para testá-lo e também para poder aprender a forma em como  alguma técnica está a ser ensinada.




Quando o mestre ensina, muitas vezes necessita de armas como do jo, bokken, etc. O otomo deve adiantar-se e ir buscar a arma que ele necessitará e depois recolhe-la das suas mãos, ajoelhado num joelho (tachihiza) se estiver no tatami, quando acabar a explicação. A razão de recolher a arma com um joelho no chão é não só respeito pelo mestre, mas também para não tirar a vista ao mestre e aos outros praticantes que estão a ouvir as explicações. 

Muitas vezes, se por acaso o otomo também for uchideshi, ao voltar duma viagem, o mestre quer agradecer o aluno pelo seu trabalho e por isso será convidado a beber com o mestre. O otomo não deve mostrar cansaço para poder continuar a servir o mestre. No final deste encontro, o otomo deve ainda despedir-se do mestre, lavar e arrumar toda a loiça e finalmente ir descansar.


Ser otomo é uma forma de treinar ao mais alto nível a sua arte marcial e desenvolver o estado de alerta. É por isso uma honra e uma oportunidade dourada ser escolhido para tal tarefa. Caso o mestre viaje sozinho, um bom praticante deve assumir as funções de otomo quando necessário.

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ENGLISH

Otomo

Otomo means companion, assistant.
This word is usually used to describe the person who accompanies the master.
In our case, in the case of aikido, it is the student who accompanies and assists a master, usually during a trip.

Saito sensei, both at the beginning and at the end of his national or international trips, almost always traveled with an otomo. This person not only kept him company during the long hours he spent alone on the trips, but also during the long hours between training sessions.

What makes an otomo

An otomo, in aikido or other traditional martial arts, is very similarly to that of a medieval squire. He has to serve his master in every way. You have to take care of his luggage, his clothes, prepare his bed, prepare his food, serve him during meals, check that he has the necessary weapons, prepare the trips both materially and socially, help the master to bathe (if need be), to get dressed, cook (if need be), and be prepared for any eventuality.

Saito sensei said that being otomo for O’Sensei could be both good and bad. If they went to a place where they ate little, the otomo would starve, sleep badly and become extremely tired, losing several pounds. If they went to a good place, the hosts took good care of the founder and fed him well. As the founder, in his old age, could not eat much, the otomo had to finish off the food and even prepare a “bento” [a box of food], to take away, to be consumed during the return journey. In this case the otomo increased in weight.
An otomo has to know what are his master's needs. He has to know what he eats, what he drinks, the medicines he takes, the physical problems he has, what he is going to wear, how he sleeps, how he feels, etc. Also, obviously, he has to know how to fold the hakama and keikogi correctly.



Shame
An otomo should not be ashamed to serve the master. If you are ashamed, refuse the otomo job and another one will be chosen.

When accompanying Saito sensei as an otomo on his travels in Japan, he had, for example, to reserve a seat right next to the entrance of the bus or train carriage, or next to the toilets. For that, I had to be aggressive with other people, because everyone, as soon as they get on the train, immediately want to sit down. Not only should I prevent people from sitting, but I should also reserve a place for myself so that no one would sit next to sensei and bother him.
If he asked for a seat near the toilets, such as for long journeys, when he got up, he had to prevent someone else from taking his place while sensei was away. It was embarrassing to be blunt with people in this way, but in reality, no one was nice enough, either.

When the master goes to the bathroom, the otomo must accompany the master, and open the necessary doors. While the master does what he needs, he must keep a respectful distance. The otomo must always carry a small hand towel to be used solely by the master. When the master finishes his needs, the otomo must turn on the faucet for his master to wash his hands, and then turn it off. Then, he must hand the towel to the master to dry his hands, putting it away later.

Saito sensei would often, after drying his hands, take a paper towel from the dispenser, and clean the sink, to leave it clean for the next user. The otomo had to be quick and pick up this towel, to throw it in the trash bin.

If seated at a table, the otome must step forward, before the master gets to the table, pull out his chair and adjust it when he sits down. Before leaving for his place, in case it is not beside the master, you must serve him.

The master often needs massages. The otomo must know a minimum of massage, especially in the area of ​​the neck, shoulders and back, in order to relieve tension or any pain he may have.

At night, when the master decides to go to bed, the otomo must take an opportunity, as when the master goes to the bathroom, to open his bed and tidy up his room.

In the last years of his life, Morihiro Saito sensei could not sleep completely lying down as a result of a severe operation he underwent. The otomo then had to prepare the sensei's bed/futon as per the requirements. During the night, Sensei sometimes got up to go to the bathroom, the otomo also had to get up and attend to the master, asking him if everything was all right.

Many people are ashamed to do all this and many believe that this has nothing to do with Budo. Anyone who thinks like that is far removed from the true world of Budo. This type of person will never go far. He will perhaps wander from martial art to martial art looking for something he himself does not want to believe or do.



The Luggage
An otomo has to pay attention to the master's baggage. It is the otomo's duty to carry the master's luggage, because tradition requires the master to have his hands free in order to fight and defend his student. Also, in case the master is an elderly person, it is a consideration to carry the master´s baggage. For this reason, the otomo must carry a minimum of personal baggage, in order to be able to carry the master's bag with ease, and to be able to assist him in other ways, as well.
Once, when I was playing Otomo for Morihiro Saito sensei on a trip to Sendai, after training we went to the hotel. There were many university practitioners around us and trying to help. I denied it and carried sensei's luggage and his shoes. I let them carry my luggage, however. Two of him insisted so much to help with sensei's shoes (he, after training, walked with the zoori), that I left them. They placed the shoes in the trunk of the taxi and we went to the hotel. Upon arrival, I took sensei's luggage to his room, waiting for those students to bring the shoes. But, they forgot! Sensei had to walk with the zoori, and even go to a formal dinner with the zoori. I felt very ashamed. I couldn't blame the students as they didn't know, and it was also my responsibility to take care of sensei's things. Finally, after dinner, and after contacting all the taxi companies, they found sensei's shoes and brought them back. I will never forget. When accompanying a master, the otomo must not let anyone else touch his baggage unless he expressly says so.

During a seminar outside the dojo, the otomo must always have his suitcase packed, so that, at the end of the event, the otomo simply shuts his suitcase and that way he will have more time to help the master pack his suitcase, and check that there are no objects left in the bedroom, under the bed and in the bathroom. If the master is wearing shoes, he should also clean his shoes, before the master puts them on.

How to walk with sensei
The otomo must always walk on the left side of the master, a little behind.
At the end of his life, already heavily consumed by cancer and the pain that accompanies this disease, Saito sensei would often jerk backwards in pain. At these times, the otomo had to drop everything to support sensei so that he wouldn't fall. Also, he had to help sensei up the stairs by pushing him in the hip area. When descending the stairs, the otomo had to get a step or two ahead of sensei and accompany his descent, prepared to support him in case he became unbalanced with the pain.


Set the Table
If sensei and otomo are staying in a hotel, before sensei goes down either for breakfast, lunch or dinner, otomo should go to the cafeteria and ask to prepare sensei's table. He must choose a table that faces the entrance, and at which sensei can sit with his back against a wall or so that no one passes behind. [Also, on a personal level, when we are sitting somewhere, we should always have the necessary attention to choose a good place to sit].
At breakfast, he should prepare the table, taking food from the buffet, or instructing the steward how to do it. Hot food will be served no sooner sensei sits down.
After preparing everything, the otomo should return to sensei's floor and wait outside his room. When sensei is leaving, the otomo should lock the room, keep sensei's room keys and run to call the elevator, blocking the door for him to enter. The otomo must get ahead and open the doors for his master.

If it's for lunch, the otomo must also reserve a table with the same conditions. If there is a menu, hours in advance the otomo must ask sensei what he wants to eat and place the order. If the dish is an expensive dish, the otomo should order himself a dish that is cheap but to be at the same time as sensei's dish. If the price is reasonable, the otomo must order the same dish, so that he can accompany sensei in eating. The otomo must instruct the steward to serve sensei as soon as he sits down.

At the dojo, too, the otomo must know how to set the table, which must always include a damp cloth neatly folded next to the sensei, to be used solely by him. Before receiving sensei, the otomo must check if anything is missing for the meal and if the bathroom is clean, notifying the other practitioners [if possible] that a certain bathroom, during this meal, will only be for the use of the teacher. When the master gets up from the table to go to the bathroom, the otomo must then go to the door, open it, let the master through, and accompany him as described above.
During the meal, if the master is talking, it is very rude to be talking to someone else. In fact, the otomo must always sit facing the master, in order to indicate to other practitioners that he is there to serve the master. It is considered very rude for the otomo to start talking to others and completely ignore the master. Even more rude is if the otomo shows fatigue and sleeps at the table. The otomo must pay no attention to anyone other than the master, even at the risk of appearing rude to his "friends". If there are senpai talking to the otomo, these must know that the duty of the otomo is to serve sensei first and therefore must not command his attention in anyway; on the contrary, these must always be alert and advice the otomo on how to act.

During social gatherings, such as at a dinner where important people are present or, in the case of aikido, more senior senpai, the otomo will not always sit next to the master. Even so, he should be aware of his master's needs. This develops awareness.

If the master is drinking and no one is serving him, the otomo must leave his place and get up to serve the master. For this reason, the otomo must learn how to serve drinks.
In the West, beer, wine and water are common at the table. In Japan, there is also Sake, and shochu. The otomo must know how the master likes to drink shochu, for example, and quickly prepare this drink.
The otomo must know that he cannot to touch the rim of the glass, as this is where Sensei's mouth will drink from. After preparing the drink, with a cloth or napkin, the otomo should clean the base of the glass before presenting it to sensei. If the otomo is serving wine, it should be served by gripping the bottle with both hands and with the label facing upwards. After serving, the bottle should be placed on the table, slightly away from the master, but with the label facing him; there should be no objects interrupting the master's view.

If the otomo cannot be at the master's side, he should ask the closest person if he would like to serve the master, thus giving someone else the opportunity to serve the master and also avoid interfering in the conversation.
If someone has been talking to the master for a long time and the master doesn't respond, just listens, the otomo should be attentive to this situation, and politely interrupt the conversation, diverting the annoying person's attention, or creating a situation to "rescue" the master from the boredom of conversation, which he, being in a place outside his dojo, and out of politeness, cannot interrupt.

During the meal, the otomo has to look at the way the master is eating and keep up with the pace. It is shameful for the master to have to wait for the otomo to finish eating before leaving. Also, if the master eats quickly and the otomo doesn't accompany him, the otomo may go hungry, because he must leave when the master has finished. For this reason, too, the otomo must accompany the master's rhythm of eating.
In aikido, movement is not wasted. All movements must have a use. Likewise, food is not wasted at the table. The otomo should only help himself modest amounts of food. If necessary, he can always repeat. It's very bad manners to leave food on one's plate.

In hotels, the master often has to spend long hours in his room. During the day, the otomo must have its bedroom door opened, to hear the master call. If not, every now and then the otomo should leave his room and pass by the master's room. If his door is open, it means he is waiting for someone to enter; wait for company. In this case, the otomo must knock, wait for the answer and go in and ask if it needs anything. If the master is drinking alone, the natural thing is for the otomo to have to drink with him. Inside the master's hotel room, the otomo must check if the master needs anything, such as more beer, wine, whiskey, ice, fruit, etc.

At night, when one retire's to the room, in case the room is not the same, the otomo must take with him all the empty bottles and all the garbage. When leaving, the otomo must apologize, say goodbye and close the door firmly (not brutally) so that the master realizes that he is already alone in the room.



Take care of sensei on vehicle trips
When the car with sensei arrives, the otomo must step forward and open the door. When the master gets out of the car, he can say something like: "Welcome", or the greeting of the day, or "With your permission".
When the master is getting into a car, the otomo must use the palm of his hand to protect the master's head, as he enters. Afterwards, he must pull the seat belt and give the clasp to the master. If the master is not capable to secure himself, the otomo must excuse himself, bend over the master and snap the clasp. If it's after a class and the master has the hakama on, the otomo should fold the hakama (or coat, etc.) and put it inside the car, saying, “sorry” or “excuse me”!, before shutting the car door.

Inside the car, at the door, there must always be a bottle of water for the trip and the master must be alerted to this. If, when leaving the car, the master has already drunk the water, the otomo must take the empty bottle from his hands and add it to the rest of the garbage that was made during the trip, to later throw it all away.

When the master's car departs, the otomo must go out into the street and act as a signalman, checking for any car passing and notifying the master or chauffeur when it is safe to leave the parking lot and enter the road.
As the car passes him, the otomo must bow to the master, who his inside the car. Then he must turn in the direction of the car and wait a while as the car drives away. Before going back inside, the otomo must bow one more time, even if the master no longer sees him.

If the otomo travels with the master, he must travel in the same car and must choose the seat near a door. As soon as the car stops, the otomo climbs out of the car and quickly opens the master's door.



Tatami
In an international stage, the otomo must know in advance where the master will enter the tatami and check that there is nothing, such as chairs, shoes, etc. on the way. Also, one should always check if the master has a towel to clean his feet when entering or leaving (many times, with the movement of hundreds of practitioners, a lot of dust falls on the tatami and dirty the feet during training).
At the end of the training, the otomo must run to the master and help him carry anything he has in his hands. Also, he must run and straighten the master's shoes or zoori and wait in seiza for him to put them on and leave the dojo. Then he must run, exit the tatami with the proper etiquette, but quickly, and run to the dojo door opening it for the master to exit.

In martial arts, as in aikido, the otomo must also know the art's technical curriculum, in order to assist the master in teaching during the seminars. Usually the master will always choose an otomo who has studied with him for a long time, and who will know what the master will say, explain, etc. and so be able to help him demonstrate. Therefore, an otomo must also be an attentive and precise person. Also, the otomo must be an expert practitioner, and not be afraid to train with the strongest practitioners. During a seminar, many practitioners, especially the strongest ones, want to train with the otomo, to test him and also to learn about some technique is being taught.

When the master teaches, he often needs weapons such as jo, bokken, etc. The otomo must go ahead and fetch the weapon he will need and then retrieve it from his hands, kneeling on one knee (tachihiza) if he is on the tatami, when he finishes the explanation. The reason for picking up the weapon with one knee on the ground is not only respect for the master, but also so as not to block the master's and other practitioners' view.

Often, if by chance the otomo is also an uchideshi, when returning from a trip, the master wants to thank the student for his work and for that he will be invited to drink with the master. The otomo must not show fatigue in order to continue serving the master. At the end of this meeting, the otomo must still say goodbye to the master, wash and tidy all the dishes and finally go to rest.


Being an otomo is a way to train your martial art at the highest level and develop alertness. It is therefore an honor and a golden opportunity to be chosen for such a task. If the master travels alone, a good practitioner must assume the functions of an otomo when necessary.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Atemi waza – Keri waza 4 Ushiro dori kokyu nage


- Tori e uke encontram-se de pé. Ambos estão em ai hanmi. Ambos estão em migi hanmi.

- Uke aproxima-se de tori e agarra-o por detrás, envolvendo o seu corpo com ambos os braços.

- Logo que se sinta agarrado, tori, inspira, expandindo a sua caixa torácica, e arqueia os braços com um movimento amplos, rodando as mãos para dentro.

- Tori pisa o pé dianteiro do uke (direito), com o seu pé direito, usando o calcanhar [kakato].

- Tori levanta os ombros e os braços, de forma a que o agarro do uke suba.

- Antes que o uke possa agarrar o seu pescoço, tori  desliza para baixo e para a direita, colocando o seu joelho direito no chão, deixando o seu pé esquerdo em frente ao pé direito do uke.

- Ao baixar, tori agarra os braços do uke e, com um movimento em espiral para a direita e para baixo, corta o corpo do uke para baixo e para fora, projectando-o para o tatami.

- Repetir para o outro lado.


Dicionário:

Kakato: calcanhar; pisar com o calcanhar.


Dicas:

Não retirar o pé esquerdo da frente do uke, pois assim ele, além de ser projectado para fora, também irá tropeçar nele.

O kakato também pode ser usado em técnicas de maegeri.

 Kakato: calcanhar.

Tori: Tristão da Cunha, 8º Dan
Uke: Gil Vargas, 3º Dan
Filmagens: Rui Pessoa Pires
Fotografia: por Tristão da Cunha
Modelos: Mónica de Sousa, 6º Dan e Marko Tomatis, 4º Dan
Gil Vargas, 3º Dan


Não praticar sem a presença de um professor.
Todas as pessoas envolvidas nos nossos vídeos e livros técnicos, autorizaram por escrito a utilização das suas imagens

Atemi waza – Keri waza 3 Katate dori shiho nage omote

Mestre Mónica Sousa, 6º Dan e Marko Tomatis
Antigo Honbu dojo, na Lapa, Lisboa

- Tori e uke encontram-se de pé, em gyaku hanmi. Tori está em hidari hanmi e uke em migi hanmi.

- Uke aproxima-se e agarra o pulso direito de tori com a sua mão direita.

- Tori abre os dedos das mãos, desloca o seu pé esquerdo para a frente e para o lado esquerdo e coloca o seu direito frente ao esquerdo, assumindo migi hanmi.

- Ao mesmo tempo, tori aplica um atemi à cara do uke, com a sua mão direita.

- Tori agarra o pulso do uke, por debaixo, com a sua mão direita.

- Quando o agarro do uke é muito forte, podemos enfraquece-lo, logo a seguir ao atemi e ao agarro, aplicando um keri waza ao seu joelho usando ou maegeri ou yokogeri.

- Prosseguir a técnica com shiho nage omote, tal como foi explicado antes neste blogue.

Repetir para o lado contrário.

Dicionário:

Yokogeri: pontapé lateral. Com este pontapé, usamos o cutelo do pé, sokuto [soku: pé; tô: cutelo, lâmina], para bater.

Dicas:

Treinar os pontapés de forma a que parem antes de atingirem o parceiro. Durante os treinos, evitar sempre causar d
anos físicos ao parceiro.


Sokuto, o cutelo do pé, também pode ser usado para golpear o joelho do aité.





Tori: Tristão da Cunha, 8º Dan
Uke: Gil Vargas, 3º Dan
Filmagens: Rui Pessoa Pires
Fotografia: por Tristão da Cunha
Modelos: Mónica de Sousa, 6º Dan e Marko Tomatis, 4º Dan
Gil Vargas, 3º Dan


Não praticar sem a presença de um professor.
Todas as pessoas envolvidas nos nossos vídeos e livros técnicos, autorizaram por escrito a utilização das suas imagens

Atemi waza - Keri waza 2: Muna dori nikyo oyo waza

- Tori e uke encontram-se de pé, frente a frente, em ai hanmi. Ambos encontram-se em hidari hanmi.

- Uke aproxima-se de tori e agarra o seu peito, pelo keikogi, com a sua mão esquerda.

- Tori rapidamente agarra a mão esquerda do uke, por cima, com a sua mão esquerda e o pulso, por debaixo, com a sua mão direita.

- Tori aplica um maegeri à bexiga ou partes baixas , com o seu pé de trás, neste caso o esquerdo. Este ataque, tal como para o keri waza #1 (ikkyo omote) também pode ser feito com o dorso do pé [haisoku].

- Tori, já tendo agarrado firmemente a mão e o pulso do uke, torce ambos para a esquerda e depois de libertar um pouco o agarro do uke, torce a mão para a esquerda e o pulso para a direita.

- Tori força o pulso do uke a dobrar, dobrando também o seu cotovelo e, com a dor, obriga-o a ir para o chão.

- Tori completa a técnica com nikyo ura waza, já antes explicada neste blogue.

- Repetir para o outro lado.




Dicionário:
Haisoku: dorso do pé


Dicas:

Podemos aplicar maegeri com qualquer pé, mas com o pé de fora é mais fácil, pois o pé de dentro poderá bater na perna do uke.

Ter o cuidado de aprender a libertar a mão do uke do nosso keikogi pois, ao agarrar, os seus dedos ficam presos no enchumaço do agarro; seguir as indicações acima, para aplicar esta técnica.

O maegeri também pode ser aplicado de baixo para cima, batendo nas partes baixas do uke, usando o dorso do pé (haisoku). 
Haisoku, o dorso do pé.






Tori: Tristão da Cunha, 8º Dan
Uke: Gil Vargas, 3º Dan
Filmagens: Rui Pessoa Pires
Fotografia: por Tristão da Cunha
Modelos: Mónica de Sousa, 6º Dan e Marko Tomatis, 4º Dan



Não praticar sem a presença de um professor.
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quinta-feira, 17 de junho de 2021

Atemi waza: Shomen uchi dai ikkyo omote - maegeri

 Estes quatro últimos artigos, debruçam-se sobre keri waza: técnicas de pontapés. Tenham cuidado para não se referirem a este conjunto de técnicas como ´geri waza´, pois significa técnicas de diarreia.

- Tori e uke encontram-se em ai hanmi. Ambos estão em hidari hanmi.

- A distância entre os dois é a distância de prática para técnicas tipo omote.

- Tori baixa as ancas e avança poderosamente na diagonal para a esquerda do uke, ao mesmo tempo que ataca a sua cara com o tegatana esquerdo.

- Tori agarra o cotovelo esquerdo do uke, por debaixo.

- Com este movimento, tori desequilibra o uke para trás.

- Assim que faz contacto com o braço do uke e o desequilibra, tori agarra firmemente o seu pulso esquerdo.

- Tori ´corta´ o braço do uke para baixo e para a esquerda, com um movimento em espiral..

- Tori levanta o seu joelho direito e aplica um mae geri à cara ou ao flanco do uke.


Para aplicar maegeri, treinar levantar e recolher os dedos do pé de forma a bater com a base dos dedos, principalmente a base do dedo grande.

- Assim que tori aplique o pontapé, deve entrar imediatamente entrar com o mesmo pé, por debaixo do corpo do uke, com vigor e também empurrar o seu braço para o lado e para baixo, “Como uma lança a perfurar o centro da terra.” [kuden]

- Tori acaba a técnica colocando o seu joelho direito no chão, ao mesmo tempo que o seu ombro bate contra o tatami. O controle final da técnica já foi explicado em artigos anteriores sobre o ikkyo. 







Dicionário:

Hojoundo: Hojo significa complementar(es); undo significa exercícios [exercícios complementares].
Maegeri: Mae significa frontal; geri vem de keri, pontapé [pontapé frontal].
Makiwara: Maki significa um rolo, uma coisa enrolada; wara significa palha [tradicionalmente, os murros e pontapés são condicionados batendo contra um objecto de palha].

Dicas:
Saito sensei disse: “Baixar as ancas é importante para TODAS as técnicas do aikido!” Se baixarmos as ancas no momento do ataque, poderemos agarrar bem o seu cotovelo por debaixo e assim desequilibrar o uke com mais facilidade.

Ao entrar com o pé esquerdo, Tori acompanha o movimento com o seu pé direito.

Ao cortar o braço do uke para baixo, tori ficará mais estável se corrigir o seu pé direito, deslocando-o um pouco para a direita, de forma a que possa ajustar as ancas, para ficarem paralelas à linha do braço do uke.

O pontapé só é possível se o parceiro estiver desequilibrado. Por esta razão é que se deve primeiro "cortar o braço do aité para baixo, com um movimento espiral."

É importante praticar hojoundo, de forma a condicionar tantos as mãos como os pés, para uma correcta aplicação do atemi. Neste caso, a prática de makiwara é importante.


A mestre Mónica Sousa a aplicar esta técnica.

Tori: Tristão da Cunha, 8º Dan
Uke: Gil Vargas, 3º Dan
Filmagens: Rui Pessoa Pires
Fotografia: por Tristão da Cunha
Modelos: Mónica de Sousa, 6º Dan e Marko Tomatis, 4º Dan
Gil Vargas, 3º Dan


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segunda-feira, 24 de maio de 2021

Morihiro Saito Shihan

 Aqui está um vídeo do YouTube em homenagem a Morihiro Saito Shihan.  



Este trabalho foi apresentado pelo mestre Daniel Toutain. Verificar a excelente forma de ensinar de Sensei. Neste vídeo não se ouve a tradução, mas também não é necessária, pois a metodologia de Sensei é fantástica.